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Saturday, April 28, 2007

Favoritos particulares & Reclame Comercial


Momento Inesquecível ( Título em português ): Eu adoro este filme. Ficou uma semana em cartaz, no Iguatemi, lá por 84, 85, sei lá. Fui ver sem maiores expectativas, num Domingo nublado, frio. Foi, para mim, marcante e, sem trocadilho, ou com mesmo, um momento inesquecível. Demorou mais de 20 anos para eu voltar a assisti-lo, agora em dvd, que tive que importar, pois por aqui acho que nunca existiu. A Second Spin resolveu meu problema. Comecei a assistir meio que com aquele receio de destruir a imagem mental que eu tinha daquele momento. Que nada. Adorei de novo cada diálogo, cada cena, cada sugestão. Recomendo com louvor. É um cult particular. Foge de clichês, de soluções óbvias, mantendo sempre uma aura, um clima, meio fantástico, mágico, bizarro, alegre, mas também nostálgico e melancólico. Dirigido pelo inglês Bill Forsyth, e com a especialíssima participação de Burt Lancaster, Local Hero ainda conta com uma trilha fabulosa de Mark Knopfler, onde ele capta muito bem todo este clima meio onírico e nostálgico do filme. Para maiores informações, vá em: http://www.allmovie.com/cg/avg.dll?p=avg&sql=1:29815~T0 , e se quiser assistir, me arranja uma mídia que faço uma cópia ( legendas só em inglês e espanhol ).



NICO soberba: DESERTSHORE ( 1970 )



Conheci agora e já se tornou um favorito instantâneo. Colaboração entre Nico e John Cale ( ambos ex- Velvet Underground ), aqui os dois se superam em lirismo, crueza, dor e contrapontos, em um disquinho assombroso ( e quase assombrado, de tão assustador). Nico cantando praticamente à capela em My Only Child, arrepia até os pelos dos dentes. John Cale está em estado de graça e faz a cama gótica/clássica para Nico derramar sua voz gelada como o Alasca (como todos os seus amigos a chamavam!? ).



Obrigatoriíssimo!! (se é que isso existe). Comprem, roubem ou baixem e curtam até o fim.



ODESSEY AND ORACLE - THE ZOMBIES







De 1968, brilhante, pop e psicodélico, um elo perdido entre Beatles, Byrds e Beach Boys, este disco é outra dessas maravilhas que não cansarei de ouvir nunquinha. Com o diferencial de um órgão/piano mezzo clássico mezzo jazz, os Zombies não fizeram sucesso como seus contemporâneos citados, mas deixaram essa brincadeira de gênios para a posteridade. Perfeito, além do necessário, a banda já tinha se desfeito quando foi lançado. Período fértil, cheio de glórias e mitos, mas também de gênios obscuros e estrelas ofuscadas. Mas não descansem em paz antes de ouvir este disco. Estes “Zombies” também detonam (além dos de George Romero, né Chico?).
Theatro de Séraphin e Pessoas Invisíveis, Sábado, Zauber, 05/05


e o rock continua rolando...



Inté mais ver,

Cebola

Saturday, April 21, 2007

Vórtice

Infinito. Vastas possibilidades desconhecidas de conexões improváveis percorrendo a trilha tênue de mundos sem nexo e aterradores destinos onde o mais puro ser se dobra à fatalidade macabra onde membros destroçados oferecidos ao nada de sua azulada tv 29 polegadas comprada na última liqüidação oferecida pela linda realidade rapidamente esquecida na próxima esquina da semana inócua de sua vida vã onde ternos homens de terno passeiam entre ruas entulhadas de carros e gentes com rumo e pessoas sorridentes sem força mais para viver a verdadeira força de estar vivo e onde a luta diária se torna a luta estúpida por se mais fazer valer pessoalmente que viver. VIVER, é a palavra chave. Infinito. Pois então. Onde foi sua última palavra? A última declaração verdadeira de amor infinito e cruel e sem dó da própria culpa? A entrega e orgânica vontade de esquecer tudo o que passou ou está por vir? Infinito. O declínio já começou. Numa rocha à beira mar, olhando distante e sem motivo. Já começou. Já estava lá imperceptível e sem glória. Sem ninguém para lhe assistir. O Declínio. Andando, andando, anda sem mais querer, vou lhe contar urna história:

Nasci e nem me lembro. E pergunto, como e por que uma pessoa pode nascer e não se lembrar, droga! É a porra do momento mais esdrúxulo da vida, e ninguém nem se lembra de nada! Bizarro. Uma vez sonhei um sonho estranho: Três pessoas vestidas como personagens bíblicos, sombrias e distantes se aproximam de mim. Nada dizem, nada demonstram. Só se aproximam. Lentamente. Silenciosamente. Elas, eles, aquilo, se aproxima e o terror se instalando paulatinamente, com seus dedos frios e compridos, acariciando a cabeça...comprimindo... Nada demais? Só se você não estivesse lá. O sonho arcaico. Primevo. Fundador. Eles ( três), apenas se aproximam. Caminham lentamente. Silenciosamente. Da janela, uma explosão. Três letras...quais são? J...N...sei , merda, lá!! Os três me assombram ainda hoje. Não sonho mais com eles. Nem penso mais neles, mas o que significavam?? Sonho 2 – Estou ali naquela sala imensa e branca. Pura. Santuário? Cubos, hexaedros, cones, formas perfeitas e imensas...Movo-as de um ponto a outro, sem questionar, passo a passo, movimento contínuo, repetido, sempre, sempre, sempre, mais...e sempre...e eu só tinha ...quantos anos? 12, 15, 17?? sei lá! Sonhos tão perfeitos em sua premonição ingênua e perfeita. Ei, acredite neles! Prova viva. Se eu pudesse avisar alguém...se só pudesse fazer acreditar...Os três, os cubos, a pedra grande, areia, mar...mar indecifrável.

A. Cepa

Continua (?)

Sunday, March 11, 2007

P-p-p-por enquanto é s-s-só, pessoal.


a estrela que caiu vai mudar a madrugada
por que o futuro é o tempo que nunca acaba*
*A Balada da Estrela Cadente - Miguel Cordeiro

Wednesday, January 03, 2007

AO INFERNO, JAMES BROWN


Por Zezão Castro

Todo dia, ao lado da minha casa, em Camacã, um ritual sanguinário captava aas atenções de todos na vizinhança: um porco era assassinado com uma facada certeira no coração, emitindo guinchos assombrosos, uinchhhhhhhhgriiiiiiiiiinch... uinchhhhhhhh. Bastava dar 3 da tarde que os vizinhos,donos de um açougue sacrificavam o animal para abastecer seus clientes. Estes gritos nunca abandonaram de todo minha memória auditiva. Pareciam, ao meu ver inalcançáveis à goela humana, até que, anos mais tarde, se reacendem dasprofundas do inconsciente na goela de um negão norte-americano o uloselvagem. Seu nome era James Brown, a quem se atribui ter sido o inventor da música soul quando em 1956 estourou com Please, please, please.

A música negra mundial, aliás, não seria nunca mais a mesma após ele, que espalhou admiradores ao longo dos hemisférios: Prince, Michael Jackson, Slyand The Family Stone, The Who, Fela Kuti, Jackie Wilson, Tim Maia, Gerson King Combo, O Rappa, Sandrá Sá, Black Rio, Ed Motta... Mesmo em Salvador,nos anos 70, negros que deixavam a cabeleira estufar e que usavam calças bocas-de-sino da Liberdade à Federação eram chamados de browns. "Lá vem os braus! "diziam.

O cantor foi hospitalizado com pneumonia e morreu na última segunda-feira em decorrência de um colapso cardíaco. Tinha também câncer de próstata. A reprercussão de seu falecimento faz jus ao seu legado de mais de 800 canções, sendo que 17 delas ocuparam os topos da parada. Tinha show marcado para o reveillon em Nova Iorque.Onde quer que se escute uma linha de baixo pulsante, uma guitarra gruvando em poucos acordes, com um naipe de metais apimentando as melodias e um grito do gueto valorizando a cor e a cultura, ecoa o berro suingado do velho James,que soube também, em meio a escaladas fenomenais, ter posicionamento político no campo musical, exortando os negros de seu país (inicialmente) a bater na caixa dos peito e cantar: Say it Loud! I,m black and I proud (Digaisso alto: sou negro e tenho orgulho) ou então assumir os prazeres mundanosdo escalde em letras como Stoned to the bone (doidão até os ossos).

Além disso a marca do seu som era o que os estudiosos chamam de síncope, ou seja, quando uma nota é executada em tempo fraco ou parte fraca de tempo e se prolonga ao tempo forte ou parte forte do tempo seguinte. Pode ser que suacabeça não entenda mas seus quadris saberão o que digo quando o DJ tocar Sex Machine (Get uppa!). Para muitos de minha geração (30 e poucos ) James Brown aparece através de um de seus hits I Feel Good, publicizada pelo filme Bom Dia, Vietnã ou então no filme Rocky II, quando aparecia cantando Livingin America. Teve duas bandas lendárias que o acompanharam: The Famous Flames desded 56, e, a partir de 1970, The JB´s, com Bootsy Collins(este,depois, entrou no Funkadelic e Parliament, de George Clinton) .

Apesar de ser um artista de soul, o cantor pertencia a uma geração de artistas da música americana que romperam as barreiras da música feita para os corôas e imprimiram uma nova marca no mercado: a a música para jovens, a exemplo de Chuck Berry, Little Richard, Fats e o próprio Elvis mas ,diferente destes , se segmentou entre os brothers de cor, que o tinham como referência. Teve discípulos, membros de sua banda que reproduziram sua influência como Lyn Collins, Maceo Parker, Bobby Bord, Bootsy Collins.Consuma-os e não te arrependerás!.
Pude conferir ao vivo e a cores a performance do Godfather of Soul na última semana de agosto de 2001, num lugar chamado The Ocean, que parecia um Rock in Rio Café triplicado. Isto aconteceu uma quinzena antes de Bin Laden providenciar a queda das torres. E digo: foi o melhor show da minha vida!Melhor que Os Stones. Em verdade, não era um show, era um ritual, uma celebração onde Sr Brown regia uma orquestra de funky: dois baixos, uma bateria, guitarra, naipe de metais, teclado, backing vocals e as dançarinas. Impossível parar quieto. Mas também tinha umas baladas de arrepiar o couro, muito boas para namorar. Tinha até armário com ficha para quem quisesse deixar jaquetas e afins.

Ao início, a banda sozinha tocava um tema instrumental enquanto um mestre de cerimônias perguntava num inglês cheio de gíria quem o maior trabalhador do show business? James Brown! a massa gritava. Quem é maior cantor vivo doplaneta?James Brown! Quem é o cantor de I Feel Good, Papa,s Got a brand Newbag , Sex Machine, Please, Please, Please? James Brown! James Brown! JamesBrown! berrava a platéia, inflando a egolatria do auto-entitulado senhor dinamite.Não mais que de repente ele apareceu e a platéia era, desde já, suaescrava. Gritaria da zorra e o cara com os dentes abertos e seu cabelo alisado pro lado. Virei o copo de uísque (Cold Turkey) que desceu com gelo e tudo.

A banda, ensaiadíssima, obedecia a cada gesto seu. O gogó, apesar dos 68 anosde então, estava em cima, embora ela não desse aquela escalada do tipo batero ovo no chão. Fora isso, os pés do cara formigavam. Fiquei a uns quatro metros do palco que não devia ter mais de 3 metros de altura. O suorescorria e ele cumpria seu sript, incluindo a clássica senha: Take me to thebridge (leve-me à ponte), que expelia, a cada vez que queria pular para aparte B de uma música. Sonzeira dos demônios, com um solo de sax. Deviam terumas 1000 pessoas no local .

Depois de uns 3 funkaços, vieram as baladas. Try-me ,a primeira delas.Alguns casais colaram rostos. E bocas. Na mesma vibração, ele veio com It´s a man´s world. Quando o palco virou púlpito e ele passa a perguntar aplatéia; Vocês conhece John Lennon? Yeahhhh! , respondiam. Martin LutherKing? Yeahhh! Marvin Gaye? Yeahhhh ! Janis Joplin? Yeahhhh... E o culto seguia. Na sua cadência de quem foi criado em brega mas canta na cartilha do gospel. Outro número do seu mise en cene se reproduzia diante dos meus olhos. A base da música segurísima, na cadência do blues e Brown se ajoelha.Como quem fraqueja. Seu assistente deposita a capa preta sobre suas costas.Menos de um minuto depois ele salta, fortalecido. A capa esvoaça e cai lá adiante. A música segue. O número acaba. Living in América vem na sequência.Não é das melhores mas quem se importa quando o "godfather" canta? RockyBalboa X Apollo Doutrinador...Quando parececia que os ânimos feneceriam, ele pergunta se alguém quer ouvir Janis Joplin? Diante da afirmativa, uma de suas vocalistas assume opimeiro plano e puxa a música mais funky do repertório jopliniano: Try (justa LIttle bit harder ). O baixão entra peidando na música e Brown vai tirar uma filipeta nos teclados e fazendo backing vocal. O show podia acabar ali, mas ele segue. Puxa I Feel Good e o povo vai ao delírio. Depois vem Superbad num dos seus muitos gritos, o tal lamento do porco aparece. Shouwzasso.Fora outras memórias que o quinto copo de uísque me surrupiaram. Para esquentar ainda mais o infermo, James Brown.

Discoteca básica:

Live at the Apollo - 1963

Cold Sweat - 1967

Mother Popcorn - 1969

The Payback - 1973

Hell - 1974

Saturday, December 30, 2006

O VÔO DA GALINHA DOS OVOS DE OURO


Rock baiano. Esse monstro existe? Morde? Faz cócegas? É aderente à calcinha? Solta as tiras ou tem cheiro? Bom, o certo é que sim, oxente, nós temos bandas e elas fazem rock, então, goste ou não, com ou sem “elementos regionais”, com E sem profissionalismo, com e, principalmente, SEM apoio (seja lá de que tipo), e com público mediano (otimismo?) ele segue pelos caminhos e desvios e estradas esburacadas e estações aconchegantes & perniciosas. Em 2006, rolou. Algumas bandas novíssimas já fizeram barulho, caso da Canto dos Malditos na Terra do Nunca e seu contrato com uma major e aparições globais, Pessoas Invisíveis, definitivamente, EX-banda-de-um-homem-só, premiada no festival Trama Universitário, abrindo, junto à outras premiadas, um show de Maria Rita no Rio. Formidável Família Musical e seu implacável tino comercial (no melhor sentido da expressão, frise-se), senso este apoiado por, na minha opinião, grande música, foram parar até no número um da Rolling Stone Brasil. Por falar nisso, é impressão nossa, ou o folk-capônico-alto-astral dos caras está sofrendo uma ligeira, porém perceptível, e interessantíssima guinada rumo à meandros soul já evidentes na garganta abençoada do seu vocalista, Damm? É esperar pra ver. Se liguem, que a estrada dessa família tá mais “out of the blue and into the black (music)” do que nunca, vamos ver...

Mas o rock não nasceu ontem nem anteontem, e a galera que rala a mais tempo do que um hype recém esquecido também anda rosnando por aí. Retrofoguetes continua sem vocal (hehe), e continua fazendo um dos shows mais divertidos e profissionais que existe por aí (também em termos além-Bahia, podes crer!). Paulinho Oliveira prova um bom gosto miserável no seu disco de estréia. Bom gosto na escolha de timbres, na “ambiência”, na sonoridade “grandiosa”...Rock com os dois pés fincados nos anos 60/70, provando que a busca pela boa música não está, necessariamente, relacionada com a busca pela “contemporaneidade” vazia dos garimpeiros de superfície. Aliás, nem estou descobrindo pólvora nenhuma, vide a quantidade de bandas/artistas, novos/velhos, no mundo todo, cuja percepção musical se pauta mais pela localização da própria sensibilidade no âmbito da música rock, seja lá de que época/estilo for, do que pela “integração” à movimentos musicais “modernos” cuja sobrevivência depende mais do contexto imediato do que de uma possível (porém improvável) visão “iluminada”. Ou vocês não ouviram os novos lançamentos de Bob Dylan, Jerry Lee Lewies, Eric Clapton com J. J. Cale, Kate Bush, o novo (?) folk-rock americano, e tantos, tantos outros, que lembrarei enquanto escrevo? Vamos voltar, por enquanto, aos nossos limites geográficos.

A Theatro de Séraphin, que estava com um grande disco semi-pronto em mãos (eu ouvi, tava bom pra caralho mesmo, e seria, provavelmente, um dos melhores lançamentos do ano), sofreu um baque com a saída de seu guitarrista Candido soto Jr, e teve que voltar ao estúdio para, com César Vieira (ex-brincando de deus), refazer as guitarras. Decisão um tanto polêmica, porém, perfeitamente compreensível dentro do conceito artístico “denso” e “fechado” da banda. Vamos aguardar que a máquina tá ficando azeitada novamente... Quanto à Cândido, seu retorno ao Cascadura acontece no melhor momento da banda. Seu quarto disco, Bogary, já é considerado um dos melhores discos de rock do ano, e isso a nível nacional. Críticas, em geral elogiosas, algumas bastante efusivas, já colocam a banda num patamar em que poucos por aqui já tenham conseguido. Quem vai escalando rumo a este patamar, lenta, porém, firmemente, é o mpb/rock/jazzy (não necessariamente nesta ordem) de Ronei Jorge e os Ladrões de Bicicleta. Também lançaram um cd elogiado e 2007 promete muito pros caras, que, parece, já estão preparando seu segundo rebento. Gravando também está a inoxidável, impermeável, indestrutível, Koyotes, liderada pelo (no mínimo) polêmico e incisivo Miguel Cordeiro. Sua verve continua afiada e é um alívio saber que ainda temos caras que se preocupam em escrever letras críticas, irônicas e mordazes, tipo “dedo na ferida” não? Honkers mandando cds (isso mesmo, no plural, a não ser que tenha havido mudanças) para breve. Sangria gravando também, e prometendo o disco mais pesado, sujo e agressivo já lançado nestas plagas, ao menos no que depender do que vemos/ouvimos/ensurdecemos em shows. Aliás, foi da Sangria uma das melhores iniciativas neste ano, o projeto Sangria convida, juntando, no Rock in Rio convidados de fora com bandas daqui, no evento mais próximo à um festival decente que tivemos. Vandex, Lou, Stancia, Radiola, Starla, Brinde, Matiz, Estrada Perdida (breve, lançando um dvd de um show lotadaço na Zauber), Los Canos, Os Miseravão, King Cobra, Demoisele, Berlinda (é, falei de minha banda, pronto! e estamos gravando um ep também), Vestido Preto de Valentina, a cena Metal, as bandas dos subúrbios (destaque para Almas Mortas) e tantas outras que minha memória seletiva & sequelada não permite citar agora. Pra todos os gostos, né não? Vamos em frente..

É óbvio que nem posso sair aqui falando de tudo o que houve. Nem é minha intenção, nem tenho saco pra tanto. E nem competência também, visto que não freqüento nem tento ouvir tudo o que rola na cidade, mesmo por que de grande parte nem gosto mesmo. Mas tem algo surgindo por aí. Se vai ser mais um bater de asas de galinha, ou um vôo cego, ou uma revoada para São Paulo, quem sabe?

Mas se fazer é preciso, reclamar e criticar também são. E muito. Para além de nosso “caráter cordial”, existe a necessidade do atrito, do questionamento. Por que se existe a vontade de aperfeiçoamento, da mudança, certamente não é por causa de uma infrutífera indolência crítica. Rock nesta cidade é, ainda, um estranho o exótico. E, neste momento, a quantidade de bandas somada a uma quase darwinista seleção natural faz com que a qualidade venha se impondo aos poucos. Ainda falta muito. Quanto a festivais... Que piada! Nada de relevante nesta terra, só a concessão de uma esquina esquecida em eventos gigantes que, em minha opinião, não acrescentam lhufas ao underground soteropolitano. Mas, neste sentido, as expectativas ficam para 2007, e são boas.

Vamos nessa, meu povo. Vamos arranhar a reputação desta Bahia, endurecendo, distorcendo guitarras, sacudindo poeira, dedilhando psicodelia e gritando bem alto: “I´m rock and I´m PROUD"!! Arrepiando só pela vontade de ouvir e de tocar.

Por enquanto é só pessoal.

Antes tarde... Funk In Piece, Mr. Dynamite James Brown, este mundinho ficou muito mais chato agora.

Sergio Cebola Martinez

Thursday, November 30, 2006

Entrevista: TRËMULA


Essa entrevista foi feita via msn com Peu e Flipi ( batera ). Maiores informações sobre a Trëmula, www.tremula.com.br.


cebola diz:

Vamos tentar dar uma esclarecida pra galera de salvador. Fala aí vcs dois suas maiores influências, e como vcs as exploram na banda.

Peu diz:

Velhão , sou cria de Boréu e outros vermes que passaram por perto de mim , como Luisão Pereira e Cezar Vieira .

Peu diz:

Só de citar esses três já enxerga-se um universo músical muito amplo e diverso

cebola diz:

Podes crer, estilos bem diferentes...

flipi power drummer diz:

Eeu sou da vila guaraní...criado no esgoto paulistano

Peu diz:

tem Zappa , Hendrix , Johnny Marr e Pepeu Gomes

Peu diz:

Tudo mixado com a minha própria loucura , que graças a Deus tem existido em abundância por todos esse anos .

flipi power drummer diz:

tem the clash, zepellin, nirvana, e a pegada punk-grunge setentista

Peu diz:

Pode-se esperar de nós música alta , inventiva , inconformada com formatinhos .

Peu diz:

não somos muito civilizados

cebola diz:

É isso, como vcs definiriam o som da tremula, tem alguma banda daqui que se pareça?

Peu diz:

Na verdade , parafraseando-nos , somos selvagens procurando lei

Peu diz:

Aqui aonde , no planeta Terra?

cebola diz:

Pode ser só brasil mesmo, por enquanto, hehe

Flipi power drummer diz:

Acho que nem do mundo,pq fazemos um som que sai de nossas cabeças e almas e isso nos torna únicos no que fazemos...

Peu diz:

Com certeza nunca houve , nem nunca haverá . Nem nós mesmos ontem parecíamos com o que somos hoje . E provavelmente amanhã estaremos também diferente . Somos um organismo vivo , em constante processo de evolução .

flipi power drummer diz:

Mas temos como ,digamos inspiração grandes bandas brasileiras como Ira!, De Falla, Mutantes...

cebola diz:

Caralho, ja estava pensando que vcs eram ets prontos a dominar o mundo

flipi power drummer diz:

Mais ou menos isso! vc tá começando a entender!

Peu diz:

Admiração , eu diria . Uma profunda admiração por essas e outras bandas como Legião e Uteros , Brincando de Deus e Camisa de Vênus . E adoro Berlinda!!

Peu diz:

Sabe , acho que vc , não faz por merecer....( Citação à Redenção, Berlinda )

flipi power drummer diz:

Tocar com um deus como batata

Peu diz:

ahahahahahahahhahaaha

cebola diz:

Man, diz isso não que se ele ler vai ficar insuportável!!!

Peu diz:

Um dos grandes defeitos do brasileiro médio é não saber reverênciar seus mitos !!! Nós não queremos cair nessa armadilha , por isso, dizemos de imediato , Batata é um deus na terra!!!

flipi power drummer diz:

Mas , estamos loucos para tocar aí em salvador com essas bandas

flipi power drummer diz:

Vai sera primeira vez do Trëmula aí....

flipi power drummer diz:

Será incrível!

Peu diz:

A expectativa está grande!

cebola diz:

véio, também não vemos a hora...

cebola diz:

vem cá, essa atual sempre foi a formação da banda?


flipi power drummer diz:

não ...passamos por outra formação no começo da banda e evoluimos até chegar a quimica perfeita que é a nossa formação atual....

Peu diz:

Para nós é assim

Peu diz:

Nos damos muito bem pessoalmente e musicalmente

Peu diz:

e é sempre um prazer especial tocar-mos juntos , mesmo nos nossos ensaios

flipi power drummer diz:

Terminamos o disco e estamos felizes com o resultado

cebola diz:

Isso é importante praca, imagine sair em turnê com uma galera que vc não aguenta...

Peu diz:

Já passei por isso , e não recomendo a ninguém .

cebola diz:

Fala aí desse disco, quando rola pra nós, terráqueos?

flipi power drummer diz:

esperamos lança-lo entre janeiro e março de 2007

Peu diz:

Você pode fazer uma resenha pra galera , já que está escutando em primeira mão!

cebola diz:

Peu, vc se refere a alguma banda especificamente, ou deixa quieto?

flipi power drummer diz:

Não vai dar ibope pra loki..hahahahaha

Peu diz:

Não , não era uma banda.


cebola diz:

Só vc compõe, Peu, ou a galera participa dessa etapa da criação?

Peu diz:

Olha , estamos muito no começo ainda , e ainda temos muito a desenvolver nesse quesito . Geralmente eu chego com as músicas e a galera dá a cara pra o som . A personalidade que a música precisa . Desse jeito enxergo que todos são fundamentais em tudo . O Flipi me ajudou em algumas letras , o LF e O Peu Tanajura chegaram depois , mas como lhe disse estamos começando e cada vez mais a participação

de todos será colocada .

cebola diz:

E no quesito letras, man, qual a sua inspiração?

Peu diz:

Vida real

flipi power drummer diz:

cebola diz:

cú é um tema constante?hehe

flipi power drummer diz:

hahahahaha quis dizer mulheres...

cebola diz:

aaaaah taaahhh

cebola diz:

o disco já tem nome?


flipi power drummer diz:

Peu

provavelmente, "Selvagens procurando lei"


Peu diz:

A vida real em toda sua amplitude é a nossa maior fonte de inspiração . Não só mulheres , tem uma parte , óbvio que diz respeito a relacionamentos , e por ser-mos heterosexuais aí aparecem mulheres de maneira mais subliminar até , nada muito na cara , sem nomes ou rostos .

Peu diz:

Mas a vida cotidiana , é toda abordada em nossas letras . Como problemas da sobrevivência , existencialismo e às vezes até o surreal .

cebola diz:

Letras surrealmente existenciais, ou realmente surreais, heh?

Peu diz:

surrealmente existênciais , como em "Piscou , Perdeu " onde o cara alterna entre abrir uma garrafa de champanhe ou dá um tiro na mulher , mas talvez a mulher possa ser ele mesmo no espelho...

cebola diz:

de fuder esse contraste

Peu diz:

acho que todos vivemos um pouco dessa forma

Peu diz:

o humor é uma linha muito fácil de se ultrapassar sem perceber intantaneamente

cebola diz:

no meio de dec isões, não é? cada uma podendo e mudando toda sua vida aos poucos

Peu diz:

e isso nós fazemos diariamente

Peu diz:

sempre , como disse anteriormente , estamos buscando por evolução na nossa arte . E isso só se consegue melhorando como ser humano mesmo . É um tipo esquisito de terapia acupacional de grupo .

Peu diz:

Uma utopia humana , a idéia de num mundo individualista como esse em que vivemos , quatro caras se juntarem com o objetivo único de construir-mos algo que seja maior que nós mesmos . Nos aguentar-mos , nos explorar-mos e sim , evoluir.

cebola diz:

flipe, e vc no meio dessa terapia de banda, como se sente??

flipi power drummer diz:

cara...tava pensando...

flipi power drummer diz:

me sinto fazendo terapia no pelourinho!

cebola diz:

com a baianada!!

flipi power drummer diz:

pode crê

Peu diz:

Vc sabe que pelorinho era onde os escravos tomavam chicotadas....

flipi power drummer diz:

é muito louco

Peu diz:

O Flipi foi concebido em Arembepe!

Peu diz:

naquela aguinha rasa alí....

cebola diz:

caramba, riponga de origem!!

flipi power drummer diz:

minha mãe só foi pro rio quando estava grávida de 8 meses

cebola diz:

tu é baiano véii!!!

flipi power drummer diz:

sou praticamente um soteropaulistano

cebola diz:

gostei dessa definição

cebola diz:

voltando à terra, e o disco, já tem contrato, selo e tals?

Peu diz:

Vc sabe Cebola , conheci o Flipi na galeria da Teodoro , depois de 10 minutos de papo ,

(sem brincadeira , dez minutos ,) decidimos fazer uma banda juntos!!!

cebola diz:

que massa

Peu diz:

pois é , em algum lugar já estava escrito!

flipi power drummer diz:

até me emocionei......

Peu diz:

ahahahahhaha

flipi power drummer diz:

estava escrito nas estrelas...tava sim...

cebola diz:

quase chorei...quase

flipi power drummer diz:

e bem marcado em cartas de tarô ôô

Peu diz:

É o melhor batera que já tive oporrtunidade de ter comigo numa banda , já sofri muito por aí...

Peu diz:

bom , mas qt ao disco...

Peu diz:

Gravamos na Toca do Bandido , estúdio fodaço lá do Rio , que está virando um selo

cebola diz:

tou ligado, claro

Peu diz:

Já é um selo , se chama Toca Discos

Peu diz:

daí eles estão negociando distribuição e tal , logo que assinarmos, a notícia correrá .

cebola diz:

Peu, vc já tocou com dois sapos, pitty, marcelo d2, qual vc considera sua melhor experiência?

Peu diz:

Today

Peu diz:

sem sombra de dúvidas

cebola diz:

claro, isso eu sei, mas nessa sua evolução como artista, o que vc considera como momentos fudamentais?

Peu diz:

todas as outras experiências foram importantíssimas e fundamentais , para que hoje eu possa desfrutar melhor a experiência de estar no Trëmula.

cebola diz:

Fala aí dos outros caras, seu xará e o verme do LF, a química é total?

cebola diz:

Man, até isso, dois Peus numa banda só!!

Peu diz:

Olha , o Dois Sapos era bem louco , apesar de mais imaturos musicalmente , eramos bastante ousados . Com Pitty conheci muitas cidades . E com D2 toquei com um cara que respeito muito , e matei uma antiga vontade de fã do Planet .

Peu diz:

Agora psicodélica mesmo foi a minha passagem pelo Defalla , o Edu K é um dos maiores artístas desse país .

cebola diz:

claaaro, esqueci essa! sou um entrevistador de merda mesmo

Peu diz:

A quimica com LF? Tem duplo sentido aí????

cebola diz:

ooooops

Peu diz:

ahahahahah

Peu diz:

Mas é assim man , brincando sério , ou sendo sério só de brincadeira . Levamos numa boa , entre passeios e compromissos de trampo . É muito fácil , somos amigos fazendo o que mais gostamos....

cebola diz:

o Peu vocal já esteve em outras bandas?

Peu diz:

Ele tocou numa banda em Salvador chamada Candombá , e também é um exímio violonista , tem uma formação musical bem ampla , e uma musicalidade ímpar .

cebola diz:

Vem cá, o que vcs têm ouvido ultimamente?

cebola diz:

Não vale dizer Tremula

flipi power drummer diz:

muito Beatles, Mamas and the Papas, Red Hot, Kaiser Chiefs, Bowie, Arctic Monkeys.....

Peu diz:

Racounteurs , Led , Santa Esmeralda , Erasure , New Order , Artic Monkeys , Bloc Party , Stadium Arcadium , Zappa , Miles , Chet Baker , Nina Simone , Nico , Lou Reed

flipi power drummer diz:

cada um ouve coisas diferentes...

flipi power drummer diz:

e somamos

Peu diz:

Braverys , Strokes

flipi power drummer diz:

e trocamos informações

cebola diz:

como vcs, enquanto artistas, se posicionam nesta questão dos downloads "piratas"?

Peu diz:

sou artísta mas vivo à margem disso tudo

flipi power drummer diz:

eu acho que por um lado é ruim...pelos direitos e tal, mas por outro divulga bastante a banda

Peu diz:

sou muito mais fã de música do que qualquer outra coisa

flipi power drummer diz:

é uma faca de dois gumes

Peu diz:

a internet democratiza

Peu diz:

às vezes escuto uma rádio de Amsterdam , outras de Seatle

cebola diz:

eu acho que do jeito que as coisas vão, o canal pras bandas, artista, etc, vai ser basicamente shows e mais shows, e não mais exatamente vendagem de discos, não?

flipi power drummer diz:

é o que parece....

Peu diz:

olha tem um bom fundamento nisso

Peu diz:

a pena é que a qualidade do mp3 é realmente bem inferior ao CD

cebola diz:

mas chega lá man, um dia chega...

Peu diz:

normalmente não se percebe muito , mas se vc comparar , ouvindo a mesma música nos dois formatos , percebe-se que a diferença é gritante

flipi power drummer diz:

com certeza

Peu diz:

mas pro outro lado , num país como o nosso o CD é muito caro para a maioria esmagadora das pessoas

flipi power drummer diz:

sem contar o prazer de se ter o disco em mãos com a arte e tal...

Peu diz:

Deveria haver um subsídio do governo , cortando impostos para que o cd chegasse mais barato nas mãos do público

Peu diz:

mais de 50% do valor que se paga em um CD , são de impostos

flipi power drummer diz:

salve o vinil!!!!!

cebola diz:

YEAH!

flipi power drummer diz:

época boa

Peu diz:

depois tem a fatia gorda das gravadoras

Peu diz:

depois o custo da fabricação

Peu diz:

por último uma nesguinha para o artista

cebola diz:

essa fatia gorda das gravadoras é que eu acho q poderia diminuir, não?

Peu diz:

também concordo

Peu diz:

um Cd poderia ser vendido a dez reais

flipi power drummer diz:

com certeza a culpa é do governo que cobra impostos muito altos!!!

flipi power drummer diz:

a gravadora quer a parte dela...afinal tmb gasta muito com todo o esquema

cebola diz:

voltando um pouco ao disco, vcs usaram algum ou alguns discos como parâmetro, tipo, na busca de determinadas sonoridades, climas...

Peu diz:

foi um processo muito intenso e inventivo .

Peu diz:

ficamos 3 meses morando na Toca

cebola diz:

quem produziu?

Peu diz:

Tivemos total liberdade para atingir a sonoridade que quisemos

Peu diz:

Eu e Tomás Magno

Peu diz:

mas o Flipi por exemplo ficou o tempo inteiro presente , e fizemos tudo de comum acordo

flipi power drummer diz:

sou um ótimo palpiteiro hahahaha

flipi power drummer diz:

e chato com as bateras

flipi power drummer diz:

timbres...

Peu diz:

Mas o Led , por ser talvez a maior banda de todos os tempos , esteve sempre pairando sobre nossas cabeças

cebola diz:

qual seu ídolo mor das baquetas, man?

Peu diz:

Referência constante .

flipi power drummer diz:

o maior sem dúvida é o Bonhan

cebola diz:

opa, keith moon, pertinho alí

flipi power drummer diz:

mas amo Dave Ghrol

cebola diz:

falando no show, o que podemos esperar dessa bagaça dia 7 com Theatro, Tremula e Berlinda?

flipi power drummer diz:

cara foi um prazer trocar essa idéia , e desculpe alguma brincadeira...sem ser viado espero que os cús fiquem entre nós....hahahaha vai ser uma grande festa com muita alegria e música boa!!!1

Peu diz:

ahahaahahahahaahhahahaahah

flipi power drummer diz:

e claro com a destruição total da terra no final!!!!!!!!

cebola diz:

e a conquista do universo!!!

Peu diz:

Estamos preparando um show um pouco diferente do que os que costumamos fazer por aqui , terão algumas supresas exclusivas para a galera daí!!!

cebola diz:

Véios, brigadão mesmo pela paciência, espero q vcs NÃO estejam se comportando por aí, e vamo em frente q o rock é loco mas a gente goooosttaa!

flipi power drummer diz:

e ele nos deve!!

Peu diz:

ahahahahahaahaahhahahaa

flipi power drummer diz:

isso aí...obrigado e até quinta! abração


Peu diz Peu diz:

velho , espero que seja o melhor dia do ano esse show aí!!!!

Peu diz:

terá muita gente que eu amo na platéia

cebola diz:

eu tb man, e vai ser!!

flipi power drummer diz:

com certeza

Peu diz:

Valeu negão, good vibes...