
Superlativos. Quando em postagens diversas nos deparamos com textos que exageram nos adjetivos superlativos, nos elogios grandiloquentes, e às vezes, na pura tietagem explícita, costumamos tentar relativizar um pouco as coisas, pensando algo assim: "pô, o cara é fã, nem deve ser isso tudo não." Bom, eu não perderia meu tempo e minha paciência se não o fosse mesmo, ao postar aqui no meu blog um texto falando sobre uma banda. A não ser que o tema fosse outro que não o puro e simples elogio de um disco especificamente, ou de uma banda, como neste caso. Banda esta que não só admiro, como também considero a melhor banda surgida nos ´90, e ainda a minha predileta em atividade.
Wilco. Em 1996 um amigo de meu irmão Márcio o empresta o cd de estréia de uma banda de folk-rock obscura, da qual nunca havia ouvido sequer falar e que chapei na hora. AM, o disco, era simples, básico, emocional, cru e delicado em medidas quase perfeitas. Must be High, Passenger Side, Cassino Queen, Box Full of Letters...eram ( ei, e são ), grandes canções com um pé ainda no puro country/folk/rock praticado por Jeff Tweedy, Ken Coomer e Max Johnston ( membros desta primeira formação do Wilco ) na seminal Uncle Tuppelo, banda anterior dos três junto com Jay Farrar que foi formar outra banda, a Son Volt...outra história que ainda conto aqui. Porque aqui e agora, o espaço é do Wilco.
Depois de ouvir trocentas vezes o AM, comecei a buscar na rede informações sobre a banda e eis que me deparo com seu site oficial . Logo de cara, no site, uma imagem do segundo disco recém lançado, e que me fez ficar obcecado pela banda: Being There. Álbum duplo, sem enrolação, perfeito do início ao fim...Algo como o Exile on Main Street dos anos 90. Aquele som básico do AM agora se diversificava, incorporando elementos quase díspares como Stones, Neil Young, Beach Boys, Gram Parsons, Beatles, noise, desconstruções ( ouça Misanderstood ), e texturas diversas. Country, folk, rock ´n´ roll, baladas...sem dúvida, um dos melhores, se não o melhor disco daquela década. Foi um dos meus primeiros pedidos gringos via web, numa edição tipo vinil, com capinha dupla...fantástico.

No terceiro disco, Summerteeth, de 99, o Wilco torna-se ao mesmo tempo mais pop e mais sombrio. Aqui, o Big Star passa a ocupar espaço entre as influências mais evidentes da banda. O "power pop" perfeito parece ser a nova meta, mesmo que sem abandonar suas principais raízes, firmemente fincadas no terreno folk-rock dos 60/70. Um disco mais "focado" que o anterior, preferido de muitos fãs e críticos, uma pequena obra-prima dos anos 90 (mais uma, portanto).
Em 2002, depois de muita confusão (a Warner se recusava à lançar um disco que eles não consideravam comercial o suficiente), sai Yankee Hotel Foxtrot, o disco mais "experimental" da banda. Agora, o produtor/guitarrista Jim O´Rourke passa a exercer um papel proeminente na sonoridade da banda. Pitadas de Kraut-Rock, muito noise, climas dissonantes...paredes de guitarras, pode-se dizer que o Wilco aqui se aproxima um pouco do Sonic Youth (cortesia de O´Rourke, que também era colaborador e futuro membro do Sonic Youth). Mas esta aproximação não descaracteriza nem um pouco o som da banda, apenas alarga seu limite, incorporando mais pesadamente um expelimentalismo saudável que já se insinuava desde o Being There. Para os fãs de primeira hora, nunhuma surpresa então. Por sinal, a Warner teve de engolir esse sapo: O disco foi disparado o que melhor vendeu até então, so sendo superado mais tarde pelo Sky Blue Sky. Quem lançou Yankee Hotel Foxtrot foi o selo independente Nonsuch, depois do rompimento do contrato da banda pela Warner. Resultado, como a Nonsuch é distribuído pela Warner, e a Warner teve de pagar pelo rompimento do contrato, torna-se asssim a primeira produtora a pagar duas vezes pelo mesmo disco, parabéns, Warner!
A Ghost is Born, de 2004, é um passo além do Yankee..As novidades continuam presentes, so que melhor, mais coesas, mais "orgânicas". Apenas um grande disco, para manter o Wilco na minha top 1 banda em atividade desde o Being There. Nota 10 com louvor, de novo.
Em Maio de 2007, Sky Blue Sky é lançado para tornar-se o mais bem sucedido disco do Wilco em termos comerciais. "Volta às origens", foi a frase mais usada para definir este disco incrível. Concordo, em parte. Realmente, a sonoridade aqui volta a possuir as "cores" folkrock de forma mais destacada, porém, dois fatos: Primeiro, o som se aproxima mais daquele clássico soft-rock típico dos anos 70 do que das raízes presentes em AM e Being There. Segundo, ainda presente as experimentações de guitarras, com o soberbo guitar-man Nels Cline cada vez mais inspirado e presente, absolutamente feliz na escolha de timbres e frases. Aqui, a grande "novidade" fica por conta dessas "viagens" guitarrísticas conduzidas por Cline e Jeff Tweedy, quase emulando o estilo e bom gosto de outroa dupla fantástica: Tom Verlaine/Richard Lloyd. Sim! isso mesmo!! O Television aqui é uma forte e boa influência, especialmente nas guitarras, por sobre as bases e melodias Neil Young/Eagles do álbum.
Antes de Sky Blue Sky, Kicking Television (opa! dica?), ao vivo em Chicago, mostra a banda ao vivo em um duplo cd estupendo, certamente um dos melhores live álbuns ever, de uma das melhores (se não A melhor) banda ao vivo da atualidade...Quem viu seus shows aqui no Brasil pode atestar o fato.
No final de Junho deste ano será lançado Wilco (The Album), novo capítulo desta ja clássica jornada, com mais 11 canções que esperamos façam jus à melhor banda surgida nos anos 90, até hoje!
Temos que abrir um parêntesis aqui para falar do projeto Mermaid Avenue, vols 1 e 2, lançados em parceria com o bardo folk inglês Billy Bragg, onde eles musicaram poemas de Woodie Guthrie em um trabalho fantástico de leitura musical! Obrigatórios também.
Sergio Martinez