CANTO DO EXTREMO DO MUNDO
Para quem não conhece, Fábio Golfetti é o mentor, guitarrista, compositor, letrista, produtor, divulgador, alma e cérebro por trás da, sob minha visão pessoal, melhor banda surgida na década de 80, o Violeta de Outono. Não que muita coisa desta década tenha realmente me empolgado, apesar de toda essa pressão revivalista e revisionista de um período, sem dúvida, crucial, na formação da nossa música pop, porém meio brochante para aqueles que, como eu, não tinha descoberto o rock via "uma porção de batatas fritas". Mas o Violeta realmente me empolgou, com suas melodias etéreas, psicodelia, Beatles, Floyd e Echo, numa fornada só. Quando ouvi pela primeira vez aquele ep homônimo, com três faixas, ou a versão para Tomorrow Never Knows, do Revolver, no primeiro lp, fui pego de jeito. Ano passado lançaram mais um cd de inéditas, Ilhas, que ainda não ouvi, mas pretendo remediar em breve esta lacuna ( e contando depois pra vocês, caros amigos leitores), assim como com o dvd que acabaram de lançar, ao vivo, e com orquestra (!!). Recomendo muito a todos os que se interessam por MÚSICA além da histeria midiática, da "contemporaneidade" vazia, da idolatria a bolhas de sabão. Agora chega de blás e vamos ao que interessa, né não?
Óculos de cebola - Fábio, começando do presente, como está o Violeta de Outono? Formação atual, lançamentos, shows...
O Violeta de Outono está num momento muito interessante, com a entrada dos novos integrantes a banda está num ótimo momento criativo, já compondo músicas para o novo disco. Atualmente a banda é um quarteto e conta com Fabio Golfetti (guitarra / vocal), Claudio Souza (bateria) e os novos integrantes Gabriel Costa (baixo) e Fernando Cardoso (teclados) ambos também do CompaCta Trio.
Odc- Fale do seu outro projeto, a Invisible Ópera Company.
Invisible Opera Company of Tibet foi um conceito criado pelo Daevid Allen do Gong –Soft Machine com o objetivo de conectar artistas que compartilham de algumas visões em comum de liberdade, música e expressão. O IOCT possibilitou que divulgássemos nossa música no exterior, temos 2 CDs lançados na Inglaterra além de ser uma alternativa sonora ao Violeta de Outono, um som mais voltado para o space rock, jazz e improviso, um som atemporal. Estarei indo para um festival em Amsterdam para tocar no Gong Reunion com o grupo Glissando Guitar Ensemble ao lado dos mestres Daevid & Steve Hillage.
odc- Dando um flashback: O Violeta foi, para mim, um grande referencial de qualidade nos anos 80. Um mix de psicodelia Beatles, Floyd e Doors com Echo and the Bunnymen. Eram essas mesmo suas maiores referências na banda, ou estaria errado?

Você tem razão, criamos nosso conceito musical inspirado pela música Tomorrow Never Knows do John Lennon, associado as nossas referenciais psicodélicas dos Floyd. Como isso foi combinado no inicio dos anos 80, o ar cinzento que pairava acabou penetrando nas idéias.
ocd- Quais suas maiores referências enquanto guitarrista e compositor?
Daevid Allen pelo conceito e espírito, Syd Barrett pela criatividade e inconsciente, Steve Hillage pela técnica e sonoridade e Jimmy Page pelas idéias de produção.
- Como você definiria o estágio atual do Violeta? Comparando com o cenário atual ?
Estamos num momento muito interessante da carreira, apesar de não estar na mídia de massa, o Violeta de Outono é mais conhecido hoje do que nos anos 80. Isso também se deve ao fato de termos mantido o caminho e a proposta até hoje. No final dos anos 80 criamos uma espécie de mailing através de uma caixa postal, com gravações raras, fanzines e isto possibilitou a existência da banda independente dos veículos “oficiais”.
odc- O que você tem ouvido ultimamente que mais lhe agrada, tanto daqui do Brasil quanto de fora?
Escuto pouco atualmente, fico maior parte do tempo no silêncio, mas como trabalho com a música, costumo gravar ensaios, ouvir referencias dos mestres, e também escuto muito os lançamentos da gravadora inglesa que represento aqui no Brasil, a Voiceprint. Meu gosto vai principalmente pelos grupos dos anos 60-70 (Gong, Soft Machine, Caravan, Khan) mas também escuto jazz (Dave Brubeck, Mahavishnu Orchestra, John Coltrane) e também, grupos de rock mais recentes (The Jeevas, Acid Mothers Temple) entre muitos outros...
odc- Há algo do rock baiano que você gosta ou gostou?
Conheço muito pouco, desculpe, certa vez tocamos no Rio num festival com a banda Brincando de Deus que fazia um som também psicodélico. (certamente conheço o rock baiano que se projetou, Novos Baianos, Raul Seixas e Tom Zé)
ocd- Há chance do Violeta ou da Invisible passar por aqui em Salvador, nesse projeto tributo à Syd Barrett, ou show normal, mesmo?
Estamos tentando alguma possibilidade, algum contato. Estamos muito abertos porém a questão principal são os custos de viagem que precisariam ser dimensionados, mas gostaríamos muito de poder tocar por ai, tenho certeza que temos um bom púbico.
odc- O Violeta lançou recentemente um dvd com orquestra, fale um pouco deste projeto e como podemos conseguí-lo.
Este trabalho foi interessante, talvez nosso trabalho mais “comercial”. Eu tinha um receio em misturar música erudita com rock, não gosto de nenhum trabalho de banda com orquestra. A concepção deste trabalho foi voltada para um pequena orquestra, e por mérito do maestro e arranjador Juliano Suzuki, que imprimiu um sonoridade de arranjos a La George Martin para o som, conseguimos um resultado legal, onde a orquestra como um todo atua como um 4º. integrante da banda. Este DVD está disponível nas principais lojas de São Paulo, Rio e também pela Internet ou através do site do Violeta de Outono
http://www.violetadeoutono.com.br/
odc - Qual o último lançamento do Violeta de Outono?

Lançamos o CD Ilhas em 2005. (o primeiro) com músicas inéditas desde o CD Mulher na Montanha de 1999. Este CD conta com o baterista Gregor Izidro (Fuzzfaces) que tocou com o trio de 2000-2003.
odc - Algum novo lançamento em perspectiva?
Como falei acima, estamos num momento de composições para um futuro álbum que devemos lançar em 2006. Este novo trabalho vai registrar a sonoridade atual da banda que ao meu ver será uma extensão do que fizemos no CD Live at Rio Art Rock Fest ’97, um som mais denso com a forte influencia dos teclados, órgão hammond.
odc - o Violeta de Outono sempre se manteve afastado da "grande mídia", tipo clips na mtv, etc. A que você deve isso?
Com relação a clips na MTV é simples, nosso contrato com a BMG acabou em 1990, ano que a MTV se instalou por aqui, e de lá para cá nunca conseguimos um apoio / patrocínio suficiente para registrar um clip seguindo os conceitos estético da banda. A “grande mídia” por sua vez se interessa principalmente por novidades, salvo alguma exceções como atualmente a Revista Bizz que está muito boa e aberta e também a Guitar Player, entre algumas outras.
odc - Manda aí seus top dez álbuns de sempre. Pode ser sem ordem mesmo.
• The Piper At The Gates of Dawn – Pink Floyd
• Revolver – Beatles
• Pawn Hearts – Van Der Graaf Generator
• You – Gong
• Music for Strings Percussion & Celesta, Bela Bartok – Pierre Boulez Conducts The New York Philarmonic
• Third – Soft Machine
• Time Out – Dave Brubeck Quartet
• Lark’s Tongues in Aspic – King Crimson
• Porcupine – Echo & The Bunnymen
• Houses of the Holy – Led Zeppelin
Depois de tudo o que ouço, sempre volto a este clássicos...
odc- Fábio, fique livre aqui pra falar o que quiser pro público baiano, valeu?
Gostaria de agradecer a sua iniciativa e perguntas e também a oportunidade para divulgar um pouco mais nosso trabalho, e espero que possamos em breve fazer algum show por aí, em 2007 teremos vários projetos e com certeza vamos tentar entrar em contato com produtores na Bahia. Muito obrigado!